Com presença da deputada Paula Belmonte, “Câmara vai à escola” leva escuta e participação política ao Centro Educacional do Lago

Transporte precário, falta de infraestrutura e valorização dos professores estão entre as principais demandas apresentadas por estudantes da rede pública

Na manhã desta sexta-feira (27), o Centro Educacional do Lago, que fica no Lago Sul, transformou-se em um espaço de escuta ativa e participação política. Por meio do projeto “A Câmara vai à Escola”, a deputada Paula Belmonte (PSDB), 2ª vice-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, levou a Escola do Legislativo (Elegis) à unidade escolar, em uma iniciativa que busca aproximar o parlamento da realidade dos estudantes da rede pública.

Confira aqui as fotos do projeto “A Câmara vai escola”

Em cartazes feitos pelos alunos, as principais reivindicações eram claras: “transporte ruim também reprova”, “nós merecemos melhores condições de estudo” e “quando o transporte falha, a educação também falha”. As mensagens evidenciam um diagnóstico compartilhado pela comunidade escolar, que aponta falhas estruturais que vão além da sala de aula.

Ao longo da programação, estudantes participaram de atividades formativas, conheceram o funcionamento do Legislativo e apresentaram propostas construídas a partir de suas vivências. O encontro marcou a culminância de um processo pedagógico elaborado pela Elegis, voltado à formação cidadã, com protagonismo juvenil e exercício do pensamento crítico.

Também participaram do evento o deputado Gabriel Magno (PT), presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura da CLDF; o diretor da Elegis, Luiz Eduardo Coelho; o representante da regional de ensino do Plano Piloto, Kalley Andrade; o diretor do CED Lago, Vitor Rios; além de representantes do corpo docente e discente.

Durante a cerimônia, marcada por forte engajamento estudantil, a deputada Paula Belmonte destacou o papel institucional da iniciativa. “A Escola do Legislativo tem a responsabilidade de aproximar a CLDF das escolas. Isso significa cidadania”, afirmou. 

Deslocamento desigual e barreiras de acesso

Foto Luís Tajes/Comunicação Paula Belmonte
Brasília, 27.03.2026 -A deputada distrital Paula Belmonte participa do Projeto a Câmara vai a Escola, no Centro de Ensino do Lago sul. Foto Luís Tajes/Comunicação Paula Belmonte

Um dos principais pontos levantados foi a dificuldade de mobilidade enfrentada pelos estudantes. Apesar de localizada no Lago Sul, a escola atende majoritariamente alunos de regiões como São Sebastião, Paranoá, Itapoã, Jardim Botânico e áreas do Entorno. O diretor da instituição, Vitor Rios, explica que muitos alunos enfrentam longos deslocamentos diários, com necessidade de múltiplas integrações e, em alguns casos, ausência de linhas diretas de transporte público. A realidade impacta diretamente o desempenho escolar. Há relatos de estudantes que precisam realizar até três deslocamentos diários para chegar à escola, o que compromete a frequência e aprofunda desigualdades no acesso à educação pública de qualidade.

Atualmente, o CED Lago é a única escola pública bilíngue em língua inglesa do Distrito Federal, fator que amplia a demanda por vagas e intensifica o fluxo de alunos de diferentes regiões administrativas. Segundo Vitor Rios, o perfil da comunidade escolar contrasta com a localização da unidade: “Nós estamos no Lago Sul, mas não somos uma comunidade dessa região. Recebemos estudantes de todo o DF, que enfrentam longos deslocamentos para acessar uma estrutura pedagógica diferenciada. Somos a única escola pública bilíngue em língua inglesa do DF, e isso explica por que tantos aceitam esse desafio diário.”

Proposta de reformulação do passe estudantil

Nesse contexto, ganhou destaque a proposta apresentada pela estudante Viviane Oliveira Lima. Eleita deputada jovem pela iniciativa, ela propõe alterações na legislação do passe estudantil, defendendo maior flexibilidade de uso do benefício, inclusive para atividades extracurriculares.

A proposta originou uma indicação formal acolhida pela deputada Paula Belmonte. A parlamentar realizou uma indicação ao Executivo, que propõe a revisão da legislação do Passe Estudantil no DF com a instituição do programa “O Amplo Direito de Ir e Vir do Estudante”, reforçando o transporte como instrumento essencial para garantir o acesso à educação. A iniciativa prevê a modernização do passe estudantil, com ampliação do número de acessos, flexibilização de rotas e liberação durante o período de férias.

O diagnóstico do programa aponta entraves recorrentes, como atrasos na liberação do benefício no início do ano letivo, limitação de viagens e uso restrito ao trajeto casa-escola. Tais fatores, segundo os estudantes, impactam não apenas a frequência, mas também o acesso a atividades culturais, esportivas e científicas.

Outras demandas estruturais

Além da mobilidade, os estudantes também denunciaram problemas relacionados à infraestrutura e às condições de ensino. Entre os pontos levantados estão a necessidade de reforma dos banheiros, melhoria na qualidade da merenda escolar, ampliação da segurança e combate a situações de violação de direitos, como casos de assédio e homofobia.

Também foram destacadas a precarização das condições de trabalho docente, com baixos salários, falta de professores e recorrentes paralisações, além da necessidade de investimentos em infraestrutura elétrica. Segundo relatos, a escola enfrenta limitações no fornecimento de energia, o que compromete o uso de equipamentos essenciais, como ar-condicionado.

Formação cidadã e participação política

Para o diretor da Elegis, Luiz Eduardo Coelho, iniciativas como “A Câmara vai à Escola” contribuem para a formação democrática dos estudantes. “Trazer a cultura da cidadania desde o ensino médio é fundamental para a formação do cidadão brasileiro”, afirmou.

O encontro reforça o papel da escola como espaço de construção coletiva e evidencia a importância de políticas públicas alinhadas às demandas reais da comunidade escolar. Ao dar voz aos estudantes, o projeto evidencia que a participação social é elemento central para o aprimoramento das políticas educacionais no Distrito Federal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima