Deputada insiste que deve se apurar a responsabilidade do gestor no prejuízo bilionário do BRB nas operações com o Banco Master
O pedido de impeachment protocolado pela deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) contra o governador Ibaneis Rocha (MDB) foi arquivado nesta segunda-feira (23). A decisão foi publicada no Diário da Câmara Legislativa do Distrito Federal. No requerimento, a parlamentar questiona a condução das negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
O presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), determinou o arquivamento com base em parecer da Procuradoria-Geral da Casa, que recomendou o encerramento sumário da denúncia após analisar os aspectos formais e jurídicos do pedido. “O que está em jogo é sério e exige transparência, responsabilidade e compromisso com a verdade”, diz a deputada
Na justificativa da denúncia, Paula Belmonte sustentou que o governador teria tido participação direta nas negociações envolvendo o BRB e o Banco Master, operação que gerou prejuízos bilionários à instituição financeira pública. O arquivamento se baseou em uma análise técnica sobre os critérios formais exigidos para esse tipo de pedido. Segundo o parecer, a representação não atendeu integralmente aos requisitos previstos na legislação para o prosseguimento.
Após o arquivamento, Paula Belmonte reiterou que discorda da decisão. “Respeito os ritos da Casa, mas não posso concordar com o arquivamento de um caso dessa gravidade sem o devido aprofundamento. Estamos falando de indícios que envolvem bilhões de reais e o possível uso indevido de uma instituição pública”, pontua a deputada. “Vou continuar buscando todos os caminhos legais para que os fatos sejam devidamente apurados e a população tenha respostas.”
Pedido de impeachment e acusações
O pedido apresentado por Paula Belmonte foi protocolado em 23 de fevereiro e incluía a solicitação de afastamento cautelar do governador por até 180 dias, enquanto durassem as investigações sobre as operações entre o BRB e o Banco Master. A representação apontava crime de responsabilidade e defendia que Ibaneis Rocha teria atuado de forma direta e consciente na condução da tentativa de aquisição da instituição financeira privada, posteriormente barrada pelo Judiciário e pelo Banco Central.
De acordo com o documento, as operações entre os bancos teriam alcançado cerca de R$ 16,7 bilhões, sendo aproximadamente R$ 12,2 bilhões ligados a carteiras de crédito apontadas como inexistentes ou sem lastro econômico. A parlamentar também solicitou a atuação do Tribunal de Contas do Distrito Federal para apuração dos fatos e afirmou que as medidas buscavam garantir transparência e evitar prejuízos ao patrimônio público.

