Paula Belmonte participou da série de entrevistas do DF1 com os candidatos mais bem colocados nas pesquisas e também apresentou propostas para saúde, educação e reorganização da estrutura administrativa

A candidata ao Governo do Distrito Federal Paula Belmonte (PSDB) questionou, nesta quarta-feira (16), durante sabatina do DF1, da TV Globo, a declaração da governadora Celina Leão (PP) de que não participou das negociações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
A fala ocorreu um dia após a divulgação de mensagens em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que Celina, então vice-governadora, “não ficou de fora” das tratativas para a tentativa de aquisição do Master pelo BRB. As mensagens não apresentam conversas diretas entre Vorcaro e Celina nem detalham qual teria sido a participação dela na negociação. A governadora nega envolvimento e afirma que sempre foi contrária à operação.
“Saiu uma notícia que a Celina Leão já sabia e estava sabendo do que estava acontecendo, e eu tenho certeza absoluta, porque ela é presidente de um partido que tem três deputados na Câmara (CLDF). O presidente do partido conversa com seus deputados, e os três deputados deles, do PP e da União, votaram a favor da compra do Banco Master. Brasília, procure conhecer. Falar que não sabia? Por que não falou que não era para votar?”, questionou Paula.
A candidata também voltou a cobrar a divulgação do balanço do BRB e defendeu que o banco concentre sua atuação no desenvolvimento econômico do Distrito Federal, com apoio a empresários, pequenos negócios, feiras e atividades esportivas.
“Nós precisamos de transparência. E o que a gente quer fazer com o BRB no meu governo? Nós vamos trazer a regionalização, vamos procurar fazer com que o Banco de Brasília volte para o centro de Brasília, que o Banco de Brasília seja fomentador da economia do Distrito Federal. Brasília precisa se sustentar, ter independência financeira, e o BRB será fundamental para isso”, afirmou.
Saúde e fortalecimento do SUS
Na saúde, Paula defendeu o fortalecimento da atenção básica, a construção de mais Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a integração dos prontuários entre UBSs, UPAs e hospitais. A candidata também afirmou que pretende realizar uma auditoria no Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) e se posicionou contra a expansão do modelo.
“Nós temos um plano de fazer uma auditoria no IGES e mudar esse modelo de livre nomeação. Hoje eu não posso falar para acabar com o IGES, mas eu quero fortalecer o SUS, isso eu tenho convicção. O SUS fortalecido consegue chegar na casa das pessoas. Então, o IGES não pode expandir”, afirmou.
Ao ser questionada sobre o que significaria fortalecer o SUS, Paula defendeu que a gestão pública retome gradualmente os serviços atualmente administrados pelo instituto.
“Fazer com que o SUS domine tanto as UBS quanto as UPAs e os hospitais, retomar o que foi tirado do SUS. Tirar, digamos, esse poder do IGES. A gente não pode acabar de uma vez, mas a gente pode ir diminuindo até o SUS tomar conta de tudo”, explicou.
Redução do número de secretarias
Outro ponto abordado durante a sabatina foi a proposta de reduzir para cerca de 15 o número de secretarias do GDF. Paula afirmou que pretende preservar estruturas consideradas essenciais e transformar outras áreas em subsecretarias.
“Eu posso falar as secretarias que eu acredito que tem que ter, que eu acho que é muito melhor do que as secretarias que vão fechar. Nós precisamos da Secretaria de Saúde, nós precisamos da Secretaria de Educação, nós precisamos da Secretaria de Economia, nós precisamos da Secretaria de Desenvolvimento Social e Econômico da nossa cidade, da Secretaria do Trabalho, da Secretaria de Infraestrutura, da Secretaria de Mobilidade”, afirmou.
Segundo a candidata, a reorganização busca concentrar a estrutura administrativa e reduzir custos.
“São essas secretarias que são efetivas para a sociedade. As outras secretarias podem compor subsecretarias. Isso diminui o custo da nossa cidade, faz com que o nosso governo seja mais concentrado e que ele possa trazer mais oportunidade para as pessoas com dignidade”, completou.
Escola integral e perto de casa
Na educação, Paula defendeu a ampliação do ensino em tempo integral e afirmou que a proposta deve priorizar as regiões mais vulneráveis. Segundo a candidata, a permanência dos estudantes nas unidades deve estar acompanhada de alimentação e atividades que ampliem as oportunidades de aprendizagem.
“A escola integral é fundamental para o desenvolvimento da nossa cidade. Colocar a nossa criança logo de manhã recebendo um café da manhã. Nenhuma criança aprende sem alimentação. Então, que ela possa ter à tarde tempo de qualidade. E começando pelas regiões mais vulneráveis”, afirmou.
Paula também defendeu escolas mais próximas das residências dos estudantes e relacionou a proposta aos gastos do governo com transporte escolar.
A candidata afirmou ainda que pretende incluir no período integral atividades relacionadas a tecnologia, robótica, empreendedorismo e matemática financeira.
“Nós vamos fazer escola integral, fazendo com que os nossos alunos tenham acesso a tecnologia, tenham acesso a robótica, tenham acesso a empreendedorismo, tenham acesso a matemática financeira e que saiam sonhando”, declarou.
Assistência social e segurança
Questionada sobre a internação involuntária de pessoas em situação de rua, Paula afirmou que a medida precisa estar associada ao acompanhamento familiar e a políticas habitacionais.
“A gente tem que fazer essa internação com a perspectiva da família. Cada um que está dentro da rua tem uma família. Então a gente precisa olhar para a perspectiva da família e retomar essa pessoa para a família. Não tem internação involuntária se você não tem um programa habitacional”, afirmou.
Na segurança pública, a candidata defendeu a integração das forças de segurança, contratação de efetivo e utilização de tecnologia.
“A gente acha muito boa a integração de câmeras particulares, mas o que a gente precisa mesmo é o Estado estar presente. Nós vamos integrar as forças de segurança. Hoje as forças de segurança não se falam. Então a gente precisa integrar essa força de segurança e trazer efetivo. Segurança, saúde e educação se faz com recursos humanos, com pessoas”, disse.
Considerações finais
Paula participou da série de entrevistas promovida pelo DF1 com os quatro candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (11). A sabatina foi realizada ao vivo e teve duração de 30 minutos, com perguntas dos jornalistas Heraldo Pereira e Natália Godoy.
Ao encerrar a sabatina, Paula falou sobre a eleição de outubro e recordou a chegada de sua família a Brasília.
“Nós estamos num momento importante eleitoral. Agora, dia 4 de outubro, nós temos a oportunidade de mudar a história do Distrito Federal no sentido de resgatar a esperança, de resgatar a vontade de querer viver nessa cidade com alegria. Quando eu vim para cá com a minha família, meu pai veio não só com a mala e a blusa que tinha dentro da mala, ele veio com esperança e é isso que nós queremos trazer. Políticas públicas, honestidade, coerência”, concluiu.