Deputada questiona falta de transparência, critica uso de bens públicos e exige apuração das decisões envolvendo o banco
Durante pronunciamento na tribuna da Câmara Legislativa do Distrito Federal, nesta terça-feira (24), a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) manifestou preocupação com a falta de informações claras sobre a real situação financeira do Banco de Brasília (BRB) e defendeu cautela na análise de propostas que envolvam bens públicos como garantia.
Em seu discurso, a parlamentar cobrou números reais e questionou a falta de transparência da instituição financeira. “Nós temos aqui uma responsabilidade muito grande. Até agora, não foi apresentado qual é o prejuízo do BRB. Qual é o prejuízo do BRB? Eu pergunto: você sabe qual é o prejuízo do BRB? Ninguém sabe. É R$ 5 bilhões? R$ 6 bilhões? R$ 10 bilhões? R$ 12 bilhões? R$ 16 bilhões?”, afirmou Paula Belmonte, destacando que a Câmara não pode decidir no escuro.
A deputada também demonstrou preocupação com o uso de patrimônio que pertence à população para cobrir dívidas de um banco que não provou sua viabilidade. “Como vamos dispor de bens do Governo do Distrito Federal, que pertencem às pessoas do Distrito Federal, inclusive terrenos cujo valor também não está claro no projeto, para dar garantia a um banco cuja viabilidade para ser salvo não foi demonstrada?”, questionou, reforçando que o projeto carece de estudos técnicos detalhados.
Por fim, a parlamentar concluiu dizendo que o papel da Câmara é fiscalizar e proteger o patrimônio público acima de tudo. Ela defendeu uma saída equilibrada que proteja os trabalhadores da instituição, mas sem abrir mão da transparência. “Nós precisamos salvar o BRB. Temos servidores, temos funcionários do BRB. Mas, acima de tudo, precisamos ter responsabilidade. E a CLDF vai mostrar essa responsabilidade neste momento.”
Defesa de apuração e responsabilidade pública
Ainda na tribuna, Paula Belmonte reforçou que a população precisa saber quem autorizou operações que podem ter gerado prejuízos bilionários à instituição, destacando que o momento exige transparência e responsabilidade dos parlamentares diante do uso de recursos públicos.
A parlamentar também voltou a pedir apoio para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), afirmando que a Câmara Legislativa tem o dever de agir de forma concreta diante das dúvidas apresentadas. “Nós precisamos dos 24 parlamentares assinando a CPI. Eu não estou querendo constranger nenhum parlamentar aqui, eu estou colocando a responsabilidade que nós temos aqui”, declarou, ao defender que o debate avance para medidas efetivas de fiscalização e investigação.

