Em Taguatinga, candidata ao GDF contou como transformou a dor pela morte de Arthur em trabalho social

A candidata ao Governo do Distrito Federal Paula Belmonte (PSDB) lamentou, nesta segunda-feira (14), que a perda de seu filho Arthur, aos 2 anos, tenha sido levada para o embate político na última quinta-feira. Durante agenda em Taguatinga, Paula concedeu entrevista ao jornal Brasília Capital e falou sobre o impacto do episódio. A candidata afirmou que não imaginava que uma experiência tão dolorosa de sua vida pudesse ser utilizada em uma disputa eleitoral.
“Eu realmente não esperava que uma dor tão forte de uma mãe, que é a perda de um filho, pudesse se tornar um combate político. Mexe com algo que, para mim, é sagrado”, afirmou.
Arthur morreu em 2014, vítima de um acidente doméstico. Em 2019, a experiência vivida pela família deu origem ao Instituto AMPB (Arthur Moreno Paro Belmonte), criado para atender crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Paula contou que a decisão de criar o instituto foi uma forma de ressignificar a perda e transformar a experiência em cuidado com outras crianças. “O Instituto AMPB, para mim, é um resgate. Cada criança que eu vejo ali tendo a oportunidade de estar no contraturno, brincando, aprendendo e estando fora da rua, de alguma maneira, é o Arthur sendo salvo daquele jeito. É uma dor que precisa ser transformada em amor”, declarou.
Desde o início das atividades, o AMPB já atendeu 978 crianças e alcançou 952 famílias, além de realizar mais de 3 mil atendimentos psicossociais nas unidades da Vila Planalto e do Sol Nascente. Ao longo desse período, a instituição também distribuiu 7,5 toneladas de alimentos às famílias atendidas pelos projetos.
“Venho me recuperando”
Paula criticou a forma como uma história familiar tão sensível foi levada para o confronto eleitoral. “Desde aquele dia, eu venho me recuperando, porque mexeu com uma dor muito forte. É algo que faz parte da minha história e que eu escolhi transformar em amor e cuidado com outras crianças”, acrescentou.
A candidata defendeu que o debate político tenha espaço para divergências e enfrentamentos, mas preserve limites diante de experiências pessoais de perda e sofrimento. “Podemos ter divergências, discutir propostas e fazer o enfrentamento político. Mas existem dores humanas que precisam ser respeitadas”, concluiu.