Representação ao Ministério Público do DF pede apuração dos pagamentos de R$ 1,4 milhão e análise de repercussão eleitoral

Candidatos ao Governo do Distrito Federal apresentaram, nesta terça-feira (8), uma representação conjunta ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para pedir a investigação de repasses de R$ 1,4 milhão feitos pela Real JG Facilities, empresa com contratos com o GDF, à Faceng Engenharia, ligada ao marido e à filha da governadora e candidata à reeleição, Celina Leão.
Assinam a representação Paula Belmonte (PSDB), Francisco Caputo (Novo), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB). O documento pede a abertura de investigação cível e criminal para apurar os fatos, além do encaminhamento do caso à Procuradoria Regional Eleitoral para análise de eventual repercussão eleitoral.
Segundo as informações reunidas na representação, os R$ 1,4 milhão teriam sido repassados por meio de 14 notas fiscais de R$ 100 mil, emitidas mensalmente entre maio de 2025 e junho de 2026. O documento também aponta um pagamento adicional de R$ 100 mil, em julho deste ano, por meio da 3J Facilities.
A Real JG mantém contratos com órgãos do Distrito Federal. Entre eles está um contrato firmado com a Vice-Governadoria em agosto de 2024, no valor de R$ 2,23 milhões e com vigência de cinco anos, para prestação de serviços com dedicação exclusiva de mão de obra e fornecimento de insumos e equipamentos.
Acima das diferenças eleitorais
Para Paula Belmonte, a união de candidatos que disputam o mesmo cargo mostra que o esclarecimento dos fatos deve estar acima das diferenças eleitorais. “Não estamos aqui para fazer julgamento. Estamos aqui para pedir investigação. Quando uma contratada do governo transfere R$ 1,4 milhão para um negócio ligado à família de quem governa, Brasília tem o direito de saber por quê”, afirmou Paula.
A candidata também destacou o caráter conjunto da iniciativa. “Nós somos adversários nesta eleição. Temos diferenças, projetos e visões diferentes para Brasília. Mas há uma coisa que precisa estar acima de qualquer disputa: o interesse público. Quando uma contratada do governo repassa R$ 1,4 milhão a um negócio ligado à família da governadora, isso precisa ser esclarecido. É por isso que estamos juntos hoje, pedindo ao Ministério Público que investigue. Brasília merece transparência e merece respostas”, disse.
A representação ressalta que o pedido não significa uma condenação antecipada e que caberá aos órgãos competentes apurar os fatos. O documento também registra a versão apresentada pelos envolvidos de que os pagamentos decorreriam de transações comerciais privadas, relacionadas ao acompanhamento de obras particulares no Distrito Federal e em Goiás.
Entre as providências solicitadas estão a obtenção de contratos, notas fiscais, ordens de serviço, medições e comprovantes relacionados às operações, além da identificação dos empreendimentos que teriam sido objeto dos serviços.
Os candidatos também pedem que o caso seja encaminhado à Procuradoria Regional Eleitoral para análise de possíveis reflexos na disputa eleitoral e à Procuradoria-Geral da República para as providências de sua competência em relação à governadora.