Deputada afirma que não há clareza sobre tamanho das perdas, critica falta de avaliação de terrenos e diz que Câmara não pode “colocar a digital” sem garantias
A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) fez um discurso contundente nesta terça-feira (3), na sessão da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa, ao tratar do projeto que autoriza o Governo do Distrito Federal a disponibilizar nove terrenos públicos para reforçar o Banco de Brasília (BRB). Segundo ela, após mais de nove horas de reunião com a presidência do banco, ainda não há clareza sobre o tamanho real do prejuízo.
“Vários parlamentares perguntaram qual é o tamanho do prejuízo. Não tem quem possa falar se é R$ 2 bilhões, R$ 6 bilhões, R$ 8 bilhões ou R$ 16 bilhões. Nós ficamos sabendo que é mais de R$ 30 bilhões que foi negociado com o Banco Master”, pontuou.
A fala ocorre na data marcada para a análise do Projeto de Lei nº 2.175/2026, de autoria do GDF, que prevê medidas para fortalecer as condições financeiras do banco diante dos prejuízos nos negócios com o Banco Master. O governo alega urgência na aprovação, citando exigência do Banco Central para aporte bilionário até o fim de março. O PL será analisado às 14h30 pelo Colégio de Líderes, e há pressão para que o projeto siga ainda hoje para votação no plenário.
Paula Belmonte questionou especialmente a falta de informações sobre os imóveis que podem ser utilizados na operação. “A gente não tem o endereço do terreno, não tem a localização, não tem avaliação. Como que nós vamos votar?”, indagou. Ela afirmou que a consultoria técnica da Casa apresentou valores diferentes dos estimados pelo governo e cobrou transparência antes da votação. “Colocar a nossa digital em um terreno que não tem endereço, não tem valor. É insustentável a gente votar esse projeto.” Para a deputada, a responsabilidade pela negociação não é da Câmara, mas a decisão final passará pelo Legislativo. “A gente precisa fazer com que a resolução disso não coloque a nossa digital sem a nossa garantia.”
A parlamentar também alertou para possíveis impactos no orçamento da saúde e da educação e mencionou outros prejuízos ainda não totalmente dimensionados. “Nós já estamos tendo um prejuízo incalculável com o BRB”, disse. Ao final, Paula Belmonte reforçou a cobrança: “Cobro transparência anterior, não é posterior. Porque é o nosso nome que vai estar aqui. E não é só o nome individual, é o nome da Câmara Legislativa.”

