Plano prevê levar rede de água potável às Chácaras da Cerâmica, Girassol e Canaã, no Pôr do Sol e Sol Nascente, a partir de investimento de R$ 330 milhões, via empréstimo do BID
Em depoimento na CPI do Rio Melchior nesta quinta-feira, 18, o diretor de Regulação e Meio Ambiente da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), Haroldo Toti, garantiu que, até 2029, a empresa pretende reverter a classificação da bacia d’água de 4 – a pior em níveis de poluição – para 3. Ele ressaltou, ainda, que já existe um empréstimo de R$ 330 milhões contratado via Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para obras de melhoramentos de efluentes, que pretende fazer chegar água potável a comunidades rurais no Pôr do Sol e Sol Nascente.
“Vamos juntos transformar o Melchior em classe 3, quiçá classe 2. Esse é o objetivo maior da Caesb com esses R$ 330 milhões. Já estamos com obras hoje de R$ 55 milhões melhorando o tratamento do Melchior. Com novas obras, para os próximos 4 anos, nós temos convicção que vamos conseguir esse objetivo”, comprometeu-se Toti na 13ª reunião da CPI.
Em resposta a um dos questionamentos da presidente do colegiado, Paula Belmonte (Cidadania), ele ponderou, porém, sobre as dificuldades de se atingir os parâmetros ideais de fósforo na água. “É muito difícil tirar o fósforo por completo. Com esse nosso projeto, vamos chegar em 96% de retirada de fósforo. Ainda assim, seria possível, em todos os outros parâmetros, estarmos na classe 3. A Caesb garante que, em 2029, vamos chegar neste patamar”, afirmou Toti.
Paula, porém, reiterou a importância de dar atenção a todos os marcadores de poluição do Melchior, incluindo os metais pesados – ponto sobre o qual o diretor vinha evitando falar ao longo da oitiva. Avaliações técnicas e depoimentos anteriores recebidos pela CPI apontam que o rio é altamente contaminado não apenas por fósforo, como por mercúrio.
É possível
Haroldo Toti explicou que essa elevação da classificação já foi feita em anos anteriores, mas no córrego Taguatinga. Isso ocorreu ao transferir o esgoto despejado no local para o Melchior, o que permitiu transformar o rio, então classe 4, em 2.
“Nos anos 90, o Rio Taguatinga era absolutamente poluído, com 16km de poluição. A Caesb projetou um ensaio retirando todo o esgoto e levando isso para o Melchior. Fizemos isso com emissário, limpando 15 km do rio, que era 4 e, hoje, é 2. O Melchior se tornou a salvação dessa área de Brasília, que é a mais populosa”, afirmou Toti.
Como vem reiterando ao longo da CPI, Paula enfatizou sua insatisfação com a existência de três rios classe 4 no Distrito Federal – além do Melchior, também o Ponte Alta e o Sobradinho. “Não me conformo e não quero me conformar. Precisamos encontrar tecnologia. Se é uma questão educacional com agricultores que pode beneficiar a agricultura, se é questão de legislação, de regulamentação, de responsabilidades, vamos pensar. E não é para as próximas eleições, mas para as próximas gerações. Vamos entregar esse produto trazendo foco no ser humano”, salientou a parlamentar.
Investimentos
Para avançar nesse melhoramento das águas do rio, Toti destacou que, de 2019 a 2024, a Caesb realizou investimento de R$ 50 milhões em tratamentos preliminares e, até 2029, já estão contratados mais R$ 330, junto ao BID, estes, para melhorar o nível dos efluentes.
“Nesta nova etapa, faremos a ampliação do serviço de tratamento, a execução do serviço elétrico e mecânico para implantação do polimento final, a casa de química. Também a desidratação, desinfecção, captação, o tratamento e a integração das ETEs Samambaia e Melchior, além da equalização da vazão e a mudança do procedimento de tratamento das unidades”, elencou o diretor da Caesb.
Ele destacou que as obras na ETE do Melchior já estão em licitação. “É uma obra pequena e brevemente já deverá estar realizada”, explicando que, com as melhorias, deverá haver a execução de rede de água potável atendendo as Chácaras da Cerâmica, Girassol e Canaã.
Enfatizando a necessidade de melhorar a qualidade da água na região, Paula Belmonte destacou um relatório da Secretaria de Saúde recebido pela CPI, que aponta índices preocupantes de qualidade da água na região do Melchior. “Uma das nossas preocupações é com a água que as pessoas estão bebendo. Um dos relatórios que chegou às nossas mãos, da Secretaria de Saúde, mostra que o lençol freático da Comunidade da Cerâmica está contaminado, com água imprópria para beber. Como o rio está poluído, têm contaminado o lençol freático”, relatou a deputada.
Zona rural
Toti e demais representantes da Caesb explicaram que a expertise da empresa é no atendimento da zona urbana, frisando que há atendimento de 96% das áreas regularizadas do DF com água tratada e esgoto.
Neste quesito houve uma divergência entre os presentes e a deputada Paula Belmonte, que fez questão de ressaltar, em diversos momentos, o elevado índice de áreas irregularmente ocupadas no DF e que não contam com água tratada e esgotamento sanitário e, por isso, não podem constar dos percentuais aventados pela empresa.
“Deixando claro que 54% das terras do DF são irregulares. Ficamos felizes que a água de 96% das 50% moradias regulares sejam tratadas. Mas têm muitas famílias que não têm esgoto em Brasília ainda, porque suas áreas não são regulares”, apontou Paula, deixando claro que o apontamento é um pedido de “cuidado”. “Se colocarmos água potável em todas as áreas ocupadas irregularmente, a gente vai estar estimulando a ocupação irregular, e não é esse o nosso objetivo”.

