Cerca de 160 alunos de escolas públicas de Ceilândia encerram a Semana de Combate ao Feminicídio com protesto e apresentações culturais
O encerramento da Semana de Combate ao Feminicídio, promovida pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, foi marcado por um ato simbólico, nesta sexta-feira (15). Cerca de 160 estudantes dos Centros de Ensino Médio 2 e 9, de Ceilândia, ocuparam o Eixo Monumental, na altura da CLDF, para pedir mais segurança e respeito às mulheres.
Uma faixa gigante com a mensagem “Chega de Feminicídio!” foi estendida em uma das avenidas mais movimentadas de Brasília, enquanto os jovens erguiam cartazes com palavras como paz, respeito, proteção e acolhimento. A manifestação foi organizada pela Procuradoria Especial da Mulher, coordenada pela deputada distrital Paula Belmonte.
“Nós tivemos uma semana maravilhosa e concluímos agora com duas escolas públicas de ensino médio, que vieram todos os dias para debater violência, violência doméstica e feminicídio, e também para ter espaço de se expressar. Tivemos delegadas, Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e sociedade civil. Tivemos aula de jiu-jitsu, mostrando para a sociedade e para esses jovens que é possível romper o ciclo de violência e apresentar essa rede de apoio. Não ao feminicídio! Que a gente tenha mais respeito dentro da nossa sociedade”, destacou a parlamentar.
Paula também ressaltou a importância de formar uma rede de proteção para amparar mulheres vítimas de agressão. “O assassinato de uma mulher nunca acontece no primeiro ato, mas começa com uma palavra, com um empurrão. Por isso, temos que denunciar”, afirmou.
Teatro e conscientização
Antes do protesto, os alunos assistiram à peça teatral Os Filhos Delas, encenada por estudantes do Centro de Ensino Médio Elefante Branco. A obra retrata os impactos da violência contra a mulher, dando voz e rosto às vítimas.
Bia Moreira, uma das 12 atrizes do grupo, explicou a escolha do público-alvo. “Um agressor não surge do nada. É algo que acontece desde a formação dele, na infância e na adolescência, que é quando o caráter começa a se formar”, disse.
Debates e palestras
Ao longo da semana, os estudantes participaram de palestras e rodas de conversa com especialistas e integrantes da rede de proteção às mulheres, entre eles: Thaise Possa Arcuri, agente da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM); Francisco Mesquita Júnior, fundador do projeto Mulheres em Ação; Samara Dantas Nunes, 2ª Tenente da PMDF; Mariana Rego, psicóloga; e Cíntia da Silva Pacheco, professora e orientadora do trabalho Homem Mata Mulher ou Mulher é Morta.
A Semana de Combate ao Feminicídio foi encerrada com o compromisso renovado de enfrentar a violência de gênero e mobilizar a sociedade para o respeito e a igualdade.

