Paula Belmonte concede moção de louvor a personalidades que se destacam no combate ao feminicídio no DF

Procuradora Especial da Mulher na CLDF alerta para necessidade de informar mulheres para que elas compreendam seus direitos e consigam deixar ciclo de violência

A procuradora Especial da Mulher e segunda vice-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Paula Belmonte, concedeu moção de louvor a 315 profissionais que atuam no combate ao feminicídio em sessão solene na noite desta quarta-feira (13), no auditório da Casa.

“Abro essa sessão solene com dor, porque estamos homenageando mulheres que evitaram a morte de outras. É nossa responsabilidade continuar falando e precisamos nos unir”, afirmou Paula.

Entre os homenageados, estão profissionais das forças de segurança pública, saúde, Judiciário, Ministério Público, além de representantes da sociedade civil. As condecorações compreenderam instituições como Arquidiocese de Brasília, Rede Elas, Instituto Humanizare e Instituto Ela por Elas e Comunidade das Nações.

A importância destes profissionais se reflete em dados. Neste ano, 12 casos de feminicídio foram confirmados pela Secretaria de Segurança Pública do DF. “Essas 12 mulheres deixaram 34 crianças órfãs”, destacou Paula, ressaltando que a morte é apenas a ponta de um ciclo de violência à mulher, que começa com um desrespeito verbal, uma brincadeira de mal gosto e evolui para socos, facadas, o óbito.

Junta-se a isso, a estatística falha, na medida que, até os casos serem confirmados como feminicídio, seguem-se, algumas vezes, meses de investigação policial. Só na última semana, por exemplo, o noticiário local estampou ao menos seis casos de agressões, em diversas escalas, contra meninas e mulheres em todo o Distrito Federal. Na noite desta terça-feira, mais uma vítima: um homem matou, a facadas, a companheira, no Itapoã e fugiu, em seguida. “A situação é gravíssima!”, afirmou Paula, alertando sobre a notícia.

“Como podemos defender essa mulher? Ela tem que entender seus direitos. Ela pode pedir medida protetiva, buscar rede de apoio. Mas muitas delas se submetem (a um ambiente de agressão), porque dependem financeiramente do parceiro. Então, a informação e a oportunidade são o caminho para a autonomia dessas mulheres”, completou a presidente da PEM.

Sessão solene

Estiveram na Mesa, ao lado da deputada Paula, a secretária de Desenvolvimento Social do DF, Ana Marra, os secretários-executivos de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, de Transportes, Alex Carreiro, as subsecretárias de Apoio às Vítimas da Secretaria de Justiça do DF, Uiara Couto de Mendonça, e de Saúde Mental do DF, Fernanda Falcomer, a coordenadora de Direitos Humano do MPDFT, promotora de Justiça Adalgiza Aguiar Hortêncio de Medeiros, a coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres da Defensoria Pública do DF, Rafaela Mitre. Representando a PMDF, a coronel Renata Braz, e o Corpo de Bombeiros, a Coronel Aníbal. Já pela sociedade civil, esteve a co-fundadora e presidente do Grupo Sabin, Janete Vaz, e em nome da reitoria da UnB, a secretaria de Direitos Humanos da Universidade, Claudia Regina.

A homenagem integra as atividades da 2ª Semana de Combate ao Feminicídio da CLDF que teve início segunda-feira (11) e vai até sexta-feira (15). Na ocasião, foi aberta a exposição “Feminicídio na Mídia”, de Anna Clea Maduro, fruto da fruto da dissertação de mestrado da jornalista e professora especialista em Revisão de Textos, a partir da investigação do uso das vozes verbais em 379 dados, em notícias publicadas entre 2000 e 2024, de 33 portais jornalísticos brasileiros.

Também na segunda, foi instalado um memorial com os nomes das 12 vítimas de feminicídio confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública do DF até o momento neste ano. “Este é um espaço de respeito, solidariedade e lembrança, para que essas histórias nunca sejam esquecidas e para que as famílias encontrem um gesto de acolhimento”, ressaltou Paula.

Programação

A Semana de Combate ao Feminicídio se estenderá até sexta-feira (15). Neste ano, o foco é o público jovem e o tema é “Falando delas com eles: reflexão, diálogo e empatia”. Desde terça-feira (12), estudantes de Ensino Médio das escolas públicas do DF estão reunidos em rodas de diálogo debatendo prevenção à violência contra mulher.

Estão participando representantes das forças de segurança do DF, incluindo delegacias especializadas no atendimento à mulher e no combate aos crimes cibernéticos, e a Polícia Militar; lideranças de projetos sociais voltados à proteção feminina; profissionais da psicologia; e pesquisadoras que desenvolvem estudos sobre a violência de gênero. As conversas são na Sala de Comissões, de 8h30 às 11h.

O encerramento da programação, será na sexta-feira (15), às 11h, com uma encenação da peça Os filhos dela, da Cia Elefante Branco, com ênfase na vida dos órfãos que perderam as mães vítimas da violência contra a mulher.

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